Covid-19 em Portugal. A caminho do desconhecido e a tentar atrasar o passo

O combate ao novo coronavírus em Portugal aumentou de intensidade nos últimos dias. Agora importa reunir forças para uma luta que poderá prolongar-se no tempo, até nos momentos mais intensos previstos para maio, pela Direção-Geral da Saúde. O país tem 4268 casos e 76 mortos.

Não é um sprint. É uma maratona. Fazer frente ao covid-19 vai levar tempo. Quanto? Não se sabe ao certo, apesar de os modelos matemáticos traçados pelos técnicos da Direção-Geral da Saúde apontarem para o mês de maio. E ao que tudo indica não será uma questão de uns quantos dias, mas sim um período de tempo, que pode chegar a ser de duas semanas, informou, nesta sexta-feira, em conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde. “O pico não será um momento isolado no tempo, mas um planalto. Sabemos que esta doença dura muito tempo. É o que está a acontecer noutros países”, disse Graça Freitas, que fala numa tendência portuguesa para retardar a velocidade da curva epidemiológica deste coronavírus, prolongando, por outro lado, o tempo de resposta ao surto pandémico.

“Se tivermos uma curva em pico é evidente que será um momento muito específico. No limite, seria um único dia com o maior número de casos, seguido de uma descida abrupta”, começa a explicar António Diniz, pneumologista, coordenador da unidade de imunodeficiência do Centro Hospitalar Lisboa Norte e membro do grupo de emergência da Ordem dos Médicos. Por outro lado, há o cenário desejável: “Se conseguirmos achatar a curva, o período em que há mais casos vai estender-se ao longo do tempo, mas permitirá uma resposta mais suave” do sistema de saúde, acrescenta o conselheiro da Direção-Geral da Saúde.

Portugal tem aumentado todos os dias o número de casos confirmados em cerca de 20%. Os últimos dados disponíveis pelas autoridades de saúde, à hora de fecho desta edição, apontam para 4268 infetados, 76 mortos e 43 recuperados. O país ocupa o 15.º lugar na tabela das nações com maior número de doentes, liderada pelos Estados Unidos da América (mais de 93 mil casos e 1385 mortes), pela Itália (86 498 infetados e 9134 mortos), pela China (81 340 casos, 3292) – onde o surto surgiu no final do ano passado e onde ao que tudo indica já foi controlado – e pela vizinha Espanha, que tem agora mais de 64 mil infetados e 4924 mortos.

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